Sexta-feira, seis da tarde, o teste de bicos volta meio vazio no ciano, e a oficina faz o que todo mundo faz: duas limpezas potentes, depois uma terceira. O frasco de resíduos continua seco. Às sete, o dono já encomendou um cabeçote. O cabeçote nunca foi o problema. A bomba que deveria ter puxado a tinta através dele vinha perdendo força há semanas, e ninguém percebeu porque a máquina continuou imprimindo até o dia em que não conseguiu mais.
Antes de orçar um cabeçote, execute um ciclo de limpeza e observe o tubo de resíduos. O que se move dentro daquele trecho transparente, ou o que deixa de se mover, indica qual metade do caminho da tinta está comprometida. A seguir, a ordem em que um técnico trabalha, da peça mais barata para a mais cara, e como provar que a bomba está no fim antes de encomendar uma substituta.
O que a bomba faz e por que raramente morre de uma vez
A bomba de tinta de uma máquina de grande formato é quase sempre do tipo peristáltico. A tinta nunca toca o motor. Dois ou três roletes comprimem um tubo flexível contra uma pista curva, e essa compressão empurra uma porção de fluido adiante. O vácuo que puxa a tinta dos bicos vem do tubo relaxando atrás do rolete, não de qualquer vedação dentro do corpo da bomba.
Esse projeto explica o padrão de falha. As bombas normalmente não param de repente. O tubo endurece com a exposição ao solvente, achata-se onde os roletes estacionam e perde lentamente o retorno elástico que gera o vácuo. A vazão cai. Um ciclo de limpeza que antes desobstruía um bico desviado começa a deixá-lo meio recuperado. A máquina ainda imprime, então nada é verificado.
Teste a bomba. Retire a tampa e execute um ciclo de limpeza com o carro estacionado. Você deve ouvir os roletes girando e ver o tubo comprimido em ritmo constante. Depois, aperte esse tubo entre os dedos. Tubulação de boa qualidade, resistente a solvente, volta à forma. Um tubo que parece um canudo de plástico rígido já perdeu a maior parte do vácuo, mesmo que o motor ainda soe saudável.
Segure o tubo contra a luz e observe o trecho sob os roletes. Um tubo saudável mostra parede uniforme. Um tubo desgastado mostra uma faixa pálida e fina onde foi comprimido milhares de vezes, muitas vezes com uma crosta de pigmento na parede interna. Essa crosta estreita a passagem, e uma passagem estreitada parece exatamente uma bomba fraca do ponto de vista do operador da máquina.
O teste do tubo de resíduos que divide o problema em dois
Localize o trecho transparente do tubo entre o cap e o frasco de resíduos. Na maioria das máquinas, ele passa por algum lugar visível sem precisar remover painéis. Faça uma marca curta no tubo com um marcador, execute uma limpeza normal e observe a marca. Quinze segundos de vídeo no celular valem mais que seus olhos, porque o movimento é lento e fácil de não perceber.
Se fluido ou bolhas passam pela marca, a bomba está funcionando e o cap está vedando. O vácuo está sendo criado. Então a tinta não está chegando de onde deveria, o que coloca a falha acima do cap: um damper que não está encaixado por completo no cabeçote, um o-ring achatado no assento do damper, uma conexão que se soltou meia volta, ou uma linha de alimentação puxando ar porque o sachê está quase vazio.
Se o tubo fica completamente parado, o vácuo não se forma de jeito nenhum. Agora a falha está abaixo do cap: a bomba não está girando, o tubo peristáltico dentro dela está achatado ou obstruído, o lábio do cap não está tocando o cabeçote, ou o tubo curto entre o cap e a bomba está entupido de tinta seca.
Esses dois resultados apontam para peças diferentes e custos diferentes. Não pule este teste porque parece simples demais. Muitas bombas são trocadas em oficinas pequenas por suposição, e a suposição geralmente vem de uma linha de resíduos seca que na verdade foi causada por um cap desalinhado em um milímetro.
Enquanto o cap estiver exposto, limpe o lábio com um pano que não solte fiapos e algumas gotas do produto de limpeza especificado pelo seu fornecedor de tinta. Evite álcool. Ele endurece a borracha mais rápido e alguns fabricantes alertam contra seu uso nas superfícies do cap e do limpador. Um lábio de cap com tinta seca nunca vai vedar, por mais forte que seja a bomba.
Verifique nesta ordem, do mais barato ao mais caro
Percorra esta lista e pare quando o sintoma mudar. Cada etapa antes da bomba custa apenas tempo, e cada uma elimina uma peça que você compraria sem necessidade.
- Condição do lábio do cap. Passe o dedo ao redor da borda de borracha. Sinta se há crosta dura, um ponto achatado ou um lábio que inchou e não assenta mais nivelado. Limpe e sinta de novo. Se a borda estiver deformada, nenhuma bomba vai puxar através dela.
- Alinhamento e elevação do cap. Estacione o carro e observe a folga entre o cap e a placa de bicos. O cap deve encontrar o cabeçote de forma reta. Nas máquinas em que o cap sobe, confirme se ele atinge a altura máxima. Um cap que para antes deixa um vazamento que você não vê de cima.
- O tubo curto do cap até a bomba. Coloque algumas gotas de fluido de limpeza no cap, execute um ciclo de limpeza e observe o nível do fluido. Se não baixar, esse tubo está obstruído com tinta seca. Lave-o com uma seringa antes de mexer na bomba.
- Linha de resíduos e nível de tinta. Uma linha inteira com trechos de ar significa que entra ar a montante. Uma linha com porções escuras incrustadas significa que o fluxo está restrito. Verifique também o sachê ou cartucho: tinta baixa puxa ar, e ar parece bomba morta.
- Encaixe do damper e o-rings. Retire um damper e observe o assento. Manchas de tinta ao redor do colar indicam vazamento. Pressione de volta até encaixar com clique. Se a máquina só puxa tinta com seringa no damper, o vazamento está aqui, não na bomba.
- A bomba. Só agora. A próxima seção mostra como provar.
- O cabeçote de impressão. Por último, e somente depois que todo o caminho acima mantiver pressão. Instalar um cabeçote em um sistema que não consegue fazer a carga inicial desperdiça o cabeçote novo no primeiro dia, e você volta à etapa um com uma conta pior.
Anote em qual etapa o sintoma mudou. Se a linha de resíduos começar a se mover na etapa três, você encontrou um tubo obstruído e a bomba era inocente. Essa anotação também é o que você envia ao fornecedor na hora de encomendar, e evita comprar a peça errada duas vezes.
Como provar que a bomba está no fim antes de encomendar
Três verificações resolvem a questão, e nenhuma delas exige um notebook de serviço.
Sinta as portas. Desligue, retire o tubo de saída da bomba, ligue e execute um ciclo de limpeza com a ponta do dedo apoiada na porta. Você deve sentir uma sucção constante e um sopro na outra porta. Sem sucção e sem sopro enquanto o motor zumbe significa que os roletes giram, mas o tubo interno está achatado ou rompido. Troque a bomba, ou apenas o tubo, se o seu modelo o vende separadamente.
Meça o conector. Ajuste um multímetro em tensão DC, em uma escala acima da tensão impressa na etiqueta da bomba, e faça a medição por trás do conector da bomba enquanto um ajudante aciona o comando de carga de tinta. Tensão presente sem movimento significa que a bomba é a falha. Sem tensão significa que a bomba está boa e o problema está a montante, na saída da placa ou na alimentação, então não compre uma bomba para corrigir uma falha de fiação.
Inspecione o tubo da bomba. Dois parafusos normalmente abrem o corpo da bomba. Procure uma faixa pálida e achatada, uma ruptura na pista dos roletes ou crosta de pigmento por dentro. Trocar o tubo custa muito menos que uma bomba inteira, e o tubo é a peça que realmente se desgasta.
Quando a nova bomba for instalada, execute as etapas de aceitação nesta ordem. Confirme o sentido de giro dos roletes antes de os tubos encherem, porque um tubo invertido empurra a tinta de volta para o cartucho. Passe a tubulação sem dobras, já que um tubo dobrado cria a mesma restrição que você acabou de pagar para eliminar. Depois execute uma carga inicial ou limpeza potente, não uma limpeza normal, porque um sistema seco não faz a carga com sucção leve. Observe a linha de resíduos em busca de fluxo contínuo antes de rodar um teste de bicos, e finalize com uma impressão real. Trinta centímetros de cor sólida em velocidade de produção vão revelar uma restrição de filtro ou de bomba que o teste de bicos esconde, porque o teste só prova que o cabeçote dispara quando a demanda é baixa.
Uma bomba no estoque custa menos que uma hora de produção perdida mais frete expresso. Esse é o argumento para manter a peça em estoque, e também o motivo para testar antes de comprar.